Como ajudar o seu filho no processo de separação

A separação de um casal é sempre um processo difícil, que acarreta alterações na rotina de toda a família. Ainda mais quando existem filhos no meio, perdidos entre inseguranças, receios e falsas culpas. A criança acaba sendo o membro mais exposto aos efeitos da desestruturação familiar, e, com isso, suscetível a uma série de prejuízos emocionais, sociais, comportamentais e cognitivos, cujas consequências podem ser imprevisíveis. A criança pode se tornar rebelde, malcriada, deprimida, sofrer transtornos do sono, de alimentação, e adotar condutas regressivas.  Esta situação logo se refletirá de uma maneira negativa no seu desenvolvimento na escola, no seu contato com a família, e em sua convivência social.

 

O sofrimento dos filhos com o divórcio dos pais é uma realidade da qual não há como escapar, mas o modo como irão reagir vai depender, em grande parte, da maneira como seus pais se comportam, encaram esta mudança e agem um com o outro.

 O que desestabiliza emocionalmente os filhos, durante o divórcio, não é só a separação em si, mas também os conflitos prévios e o modo como à separação é transmitida e vivenciada pelos pais.

 

Então, a partir do momento em que o divórcio é uma certeza, os pais devem preparar-se para contar aos filhos. As crianças confiam plenamente nos pais e, se perceberem que eles estão escondendo a verdade, sofrerão sozinhas e tenderão a confiar muito menos nos adultos em geral. As crianças devem também ser esclarecidas do processo de divórcio ser permanente, de forma a não alimentarem a fantasia de uma reconciliação. Logo, o casal só deve ter esta conversa com as crianças quando o divórcio é para eles mesmo uma situação irreversível, quando a decisão está definitivamente tomada.

 

Por isso, é importante que os pais se organizem em nome do bem-estar dos filhos e… CONTEM A VERDADE. O ideal é que “a” conversa ocorra com todos os membros da família presentes. Claro que isto nem sempre é possível. A mágoa e o ressentimento do casal podem impedir que isso  aconteça . Se a conversa em família não for possível, é importante que ambos digam mais ou menos a mesma coisa para a criança mesmo que em momentos diferentes, mas que ambos conversem com ela.

 

- O que pontuar nessa conversa com seu filho e durante o processo do divórcio?

 

- Explique ao seu filho, que o pai e a mãe já não podem ou não desejam viver juntos, e que a partir de agora, viverão em casas diferentes.

 

- Fale com seus filhos da realidade da separação, tendo o cuidado de não culpar a ninguém.

 

- Assegure repetidamente aos seus filhos que ambos os pais, continuam a amá-los da mesma e que ele será visitado pelo pai ou a mãe que não ficar com a sua guarda.

 

- Mantenham ao máximo as rotinas habituais da criança: casa, ambiente, relações com os pais, colégio, horários, amigos, etc.

 

- Assegure aos seus filhos que eles não têm nenhuma responsabilidade pelo que ocorreu, pelo divórcio. Eles não têm culpa.

 

- Explique claramente que o divórcio é definitivo. Que não existe a possibilidade de voltar atrás.

 

- Trate de proteger as opiniões positivas que seu filho tem de ambos os pais.

 

- Facilite a relação do seu filho com o progenitor, sendo flexível nos horários, etc.

 

- Trate com o progenitor que não teve a guarda, tudo relacionado com a educação, saúde, etc. do seu filho, e não use a criança como mensageiro.

 

 

- E com as crianças menores?

 

Mesmo com crianças menores, é importante verbalizar a situação, nem que seja através de uma história que ilustre de forma, o mais realista possível o que se vai acontecer...

Aqui no consultório eu utilizo o livro “Quando os pais se separam” da coleção “Uma terapia para criança” da editora Paulus.

 

Quanto mais novos forem os filhos, maior a necessidade de sentirem a segurança das decisões dos pais. Por isso é tão importante falar sobre as mudanças que virão. Cabe aos pais tentarem antecipar estas dúvidas.

 

É importante que os pais nãos e esqueçam que no divórcio, o conflito é conjugal e não parental, e que quando se estão a separar se estão a separar do cônjuge e não dos filhos.

Por fim no decorrer do desenvolvimento, os sucessivos confrontos dos aspectos da realidade vão mostrando à criança que ela não é suficientemente poderosa para definir o rumo dos acontecimentos ou decidir pela vida dos adultos. Elas vão percebendo, aos poucos, que diferentes pessoas têm diferentes atitudes, valores, opiniões e crenças, e ela vai aprender a estar em busca das próprias verdades.

 

O mais importante é jamais faltar com a verdade. Tudo o que for dito deve ter esta premissa. Reitero que mesmo filhos pequenos devem saber que o casal esta se separando. Isto precisa ser dito. Não falar não evita o sofrimento, como muitos pais acreditam, mas apenas faz com que as crianças vivam uma situação sofrida sem saber nomeá-la, o que pode causar fantasias terríveis e desesperadoras.

Os cuidados citados podem permitir que, independentemente da idade, os filhos tenham condições para enfrentar a mudança que inevitavelmente o divórcio dos pais pode causar, lembrando que eles também precisam de tempo para elaborar seus sentimentos e isso precisa ser respeitado.

 

 

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