As mordidinhas na Escola. Nham Nham Nham

 

Minha filha (2 anos) iniciou sua vida escolar este ano, graças a Deus a adaptação foi super tranqüila e hoje estamos vivenciando a experiência da famosa fase das mordidas.

 

Em dois dias ela levou quatro mordidas, e veio cheia de ¨reloginhos¨ novos para casa. Mesmo tento total consciência que esta fase é muito comum entre as crianças dessa faixa etária,  não vou negar que ver as marquinhas apertou meu coração.

 

Ao desabafar essa sensação com outras Mães tive contato com as mais diversas reações e opiniões e todas foram enriquecedoras para meu aprendizado, mas a que mais me ajudou foi ver o lado das mães dos filhos que mordem.

 

Fato que a criança que foi mordida, como minha filha, é automaticamente mais protegida aos olhos de todos, pois ela foi a “ vitima¨, já a criança que vem utilizando a mordida como forma de comunicação recebe alguns olhares muito duros e, mãe e filho, acabam sendo rotulados de forma bem pesada por alguns. O mordedor, para alguns, vira a criança problemática, sem limites, mal educada, agressiva e etc, A mãe é a que não sabe educar, negligente e etc.

 

Então alem dos relatos fui pesquisar um pouco mais sobre o assunto

 

Afinal, por que os pequenos gostam tanto de morder?

 

Pelo que pesquisei, é nessa fase em que a criança testa os limites do próprio corpo, Sigmund Freud (1856-1939) também ajudou a entender as dentadas. O fundador da psicanálise definiu como fase oral o período em que a criança sente necessidade de levar à boca tudo o que estiver ao seu alcance, pois o prazer vital está ligado à nutrição. Ela experimenta o mundo com o que conhece melhor: a boca.

 

Outra razão é a necessidade de se comunicar. Os pequenos não dominam a linguagem verbal e utilizam a mordida para expressar descontentamento e irritação ou para disputar a atenção ou objetos com os amigos. Amor e carinho também podem ser expostos com uma mordidela, como fazem os adultos ao afagar os bebês.

 

A separação dos pais e algumas situações novas vividas na escola podem gerar desconforto e insegurança. Sem poder falar, os dentes viram um recurso de expressão. Assim, fica fácil compreender por que as crianças que mordem não podem ser rotuladas. Além da descoberta do corpo e da expressão de sentimentos, elas ainda estão construindo a identidade. Quando estigmatizados, os pequenos sentem dificuldade em desempenhar outro papel que não o de agressor. Eles podem ter dificuldades de se relacionar. O que seria uma fase transitória pode se cristalizar num comportamento permanente.

 

É importante que se saiba que esse comportamento de morder faz parte do desenvolvimento, é normal até os três anos de idade e passa quando a criança adquire novas habilidades. Muitas vezes a criança que morde e a melhor amiga da que foi mordida e no caso de minha filha, mesmo não sabendo quem a mordeu, pois a metodologia da escola é não contar, justamente para evitar desgaste no relacionamento entre os pais e rótulos nessas crianças, eu tenho certeza que trata-se de uma criança que ela gosta, pois não vem expressando nenhum reação de trauma, medo ou angustia ao falarmos do assunto, da escola e de seus coleguinhas. Ela vem lidando muito bem com essa situação, às vezes tenho a impressão que esta lidando melhor do que eu RS.

 

Cabe o professor analisar qual sentimento vem sendo expresso no ato da mordida, irritabilidade? Brincadeira? Disputa por um brinquedo? Chamar a atenção do colega?. Identificando a motivação, escola e pais podem orientar a criança de forma mais assertiva.

 

O que percebi é que se trata de uma situação comum, tanto em casa como na escola, e não necessariamente reflete negligência por parte dos adultos.

 

Dicas para os pais dos que mordem:

 

Lembrem-se sempre que pode parecer uma inocente brincadeira, mas as mordidinhas que damos nas crianças para descontraí-las podem ser o fator desencadeador para que ela morda alguém na escola. Brincadeiras com a boca confundem a cabeça da criança e podem levá-las a quererem reproduzir o gesto com o coleguinha, porém, diferentemente dos adultos, a criança não tem ainda controle da força da mandíbula. Por isso, por mais que seja algo divertido e que faça a criança gargalhar, o mais prudente seria brincar e estimular a criança de outros modos com a boca, como beijos, sopros, cheiros…
 

Não dê uma bronca na frente de todo mundo, pois isso pode deixar a criança ainda mais nervosa e talvez mais agressiva. Ao invés disso, descubra porque isso aconteceu, pois caso a mordida tenha acontecido em um momento de disputa de brinquedo, deixar a criança com o brinquedo adquirido injustamente (pela mordida) pode incentivá-la a repetir o ataque sempre que quiser algo, além de indiretamente incentivar uma mordida de troco.
 

Uma boa sugestão também é estimular a afetividade e propiciar um ambiente em que as trocas sejam constantes, ajudando as crianças a se familiarizarem com o dividir (espaço, objeto e atenção)
 

Dica para os pais dos que vem sendo mordidos:

 

É essencial ficar atento em casos de repetição, tanto se seu filho continuar mordendo, quanto se ele for mordido constantemente. No caso do seu filho ser o mordedor, é necessário avaliar em que contexto isso tem acontecido e se há algo que ele queira dizer que não está sendo dada a devida importância. No caso do seu filho ser o alvo de constantes mordidas, deve-se dar uma atenção especial, pedir auxílio da escola para ajudar a melhorar seus reflexos, expressar seu descontentamento e encontrar mecanismos de defesa, sem que isso signifique uma ação de revide ao coleguinha mordedor.
 

Passado o medo/susto inicial, até que não foi tão difícil parar e estudar este tema. Agora me sinto mais preparada para lidar com essa fase que estamos e me posicionarei como uma aliada da escola, da educadora e dos outros pais para solucionar o problema da forma mais branda possível.

 

 

Texto escrito pela mãe amiga Tatiane Pacheco, administradora do grupo Mães Amigas de Niterói.

 

Quer enviar um texto também? Manda email pra gente: contato@maesamigasdeniteroi.com.br

 

 

 

 

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