Livros nas mãos dos bebês! Essa é a nova tendência mundial

 

Em 2005 fiz uma palestra por ocasião da Feira do Livro de Porto Alegre, RS, e tive a oportunidade de assistir a uma palestra de um dos coordenadores da Fundação Lesen (Ler, em alemão. www.stiftunglesen.de), de Mainz, Alemanha. E entre os vários projetos desenvolvidos por essa fundação para estimular a leitura entre crianças e jovens, o que mais me impressionou foi aquele que – com vistas a atingir as crianças desde o nascimento – distribui às futuras mamães, nos postos de atendimento às gestantes, pequenos livros para que elas os leiam com os seus bebês. Ao mesmo tempo, elas são orientadas no sentido de fazer dessa prática um momento de conversa e aconchego com o filho. Saí da palestra fascinada! E pensando em como se pode criar, com certeza, uma nova geração.

 

Os livros de neurociência que venho lendo nessa última década têm me trazido a certeza de que minhas observações estavam corretas. E, no atual momento, vemos outros países, ONGs e promotores de leitura voltarem sua atenção para as crianças de menos de 3 anos, ou como normalmente as chamamos: bebês. Agora assisti a uma palestra – promovida pelo “Leitura em Debate” e realizada no Salão do Livro da FNLIJ – cujo título não deixa qualquer dúvida: “O espaço da leitura para bebês, crianças e jovens”. Nessa palestra falaram o Sr. Sang Sool Kim, da Biblioteca Nacional Coreana para Crianças e Jovens, da Coreia do Sul, e a Sra. Ingrid Bom, representante da IFLA - Federação Internacional de Associações de Bibliotecas e Instituições, na Holanda. Assim como ocorre na Fundação Lesen (Ler), da Alemanha, também na Holanda um dos projetos desenvolvidos atinge diretamente as mães nos Postos de Saúde. Para se ter uma ideia do espírito que norteia a ação de fomento à leitura, por lá, vale dar uma passadinha pelo site da IFLA (www.ifla.org), e uma olhada nos títulos de eventos e conferências: “O Dia dos Bebês”, “O Dia dos Livros”, “Noite de Histórias”, “A necessidade da linguagem e da promoção da leitura na infância”, “Um programa nacional para melhorar a alfabetização e a saúde em crianças, através da leitura em voz alta”, “Nascido para ler”, “Outubro, está chovendo livros”, “As jornadas nacionais de leitura”, “Ganhar ou perder uma geração”.

 

Como você vê, o que vem acontecendo nesses países, Coreia do Sul, Alemanha, Holanda, entre outros não citados aqui, parece estar diretamente relacionado a esse último título de uma das conferências. Colocar ou não livros nas mãos das crianças – no momento em que o seu cérebro está programado para o desenvolvimento máximo, conforme atestam inúmeros estudos sobre o período que vai do nascimento até os cinco anos – parece ser mesmo fazer uma opção política: Ganhar ou perder uma geração!

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Fragmento extraído do livro AMOR LITERÁRIO – Dez instigantes roteiros para você viajar pela cultura letrada, de Luzia de Maria, LER & CULTIVAR Editora, 2016, p. 144, 5. Com autorização da editora.

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[1] Luzia de Maria é doutora em Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP, tem 17 livros publicados, sendo 3 sobre leitura e formação de leitores  –  Leitura & Colheita, O Clube do Livro - Ser leitor, que diferença faz e  Amor Literário. Dirige o Projeto LER PRA VALER que, com o aval do MinC, os benefícios da Lei Rouanet e patrocínio das editoras FTD e GAUDí, ofereceu em 2016 uma atualização leitora para 400 professores, em 3 estados brasileiros.

 

 

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